29 Abril 2008, 01:39

BRASIL VAI SE FIRMANDO NO MUNDO MULTIPOLAR

A edição “The New York Times Magazine” afirma que o Brasil vai ascendendo à categoria de líder natural da América do Sul. O tema é desenvolvido pelo nosso comentarista Ghennadi Sperski.

A edição “The New York Times Magazine” afirma que o Brasil vai ascendendo à categoria de líder natural da América do Sul. O tema é desenvolvido pelo nosso comentarista Ghennadi Sperski.

Estamos vivendo uma época de transformações globais, marcada por uma nova correlação de forças no cenário internacional. Algumas estão perdendo gradualmente sua influência, enquanto que outras vêm avançando da periferia para posições frontais. A referida revista estadunidense sustenta que já está chegando o fim da hegemonia dos Estados Unidos, embora num futuro previsível esse país deva manter seu status de superpotência. Entretanto, os componentes do grupo batizado BRIC, ou seja, Brasil, Rússia, Índia e China, vão crescendo para se tornarem sérios concorrentes dessa superpotência.

O Gigante Sul-Americano, como se chama muitas vezes o Brasil, possui todos os requisitos para assumir a liderença nesse subcontinente. É um país com um território muito extenso, importantes reservas naturais e uma indúsatria, agricultura e potencial científico, tecnológico e militar altamente desenvolvidos. Sua estratégia centra-se na necessidade de abandonar o modelo neoliberal importado dos Estados Unidos e adotar uma economia nacionalmente orientada, ampliar a integração regional e diversificar o comércio exterior. Já sua política interna está voltada para promoção das instituições democráticas e consolidação da estabilidade social. O Brasil advoga o estabelecimento de relações igualitárias na sociedade interamericana e prevenção e resolução dos conflitos locais através de esforços coletivos; esse país defende o direito dos países regionais para traçarem suas próprias metas econômicas, financeiras, políticas e militares. E, verdade seja dita, vai avançando de uma forma bastante eficiente em todas as linhas apontadas.

No dizer do presidente Luiz Inácio “Lula” da Silva, “nunca a Sul-América esteve tão unida”. Ele está convencido de que “a atual integração sul-americana é irreversível”. O Brasil constitui o núcleo em cuja volta se vai compondo a unidade regional. Será possível imaginar que sem a presença brasileira o MERCOSUL, por exemplo, tivesse podido alcançar o alto nível hoje ocupado? Presentemente, reúne 9 países com status de membro efetivo e associado e aparece como a terceira associação econômica mais importante do mundo. Foi também com uma participação ativa do Brasil que nasceu a idéia de criação de uma União de Nações Sul-Americanas, concebida como alicerce para a união de toda a América Latina.

O Brasil também propõe criar um Conselho Sul-Americano de Defesa. Segundo seu ministro das Forças Armadas, Nélson Jobim, isso é necessário para que as Forças Armadas da região mais não dependam de estrangeiros na área da defesa. Essa iniciativa foi apoiada pelos vizinhos do Brasil.

A América do Sul foi proclamada zona livre das armas nucleares. A iniciativa havia partido do Brasil e Argentina. É geralmente reconhecido o papel desempenhado pelo Brasil para que fosse alcançada a paz na América Central e resolvido o conflito entre a Colômbia e o Equador.

Cresce a influência exercida pelo Brasil junto a diversas instituições internacionais. Esse país insiste na necessidade de uma revisão da estrutura do Fundo Monetário Internacional para que neste sejam ampliados os direitos dos seus membros com economias emergentes. Juntamente com a Índia e a China, o Brasil sustenta a idéia de redução ou levantamento total dos subsídios oferecidos pelo Estado aos produtores agrícolas nos Estados Unidos e países da União Européia.

O Brasil, portanto, está endireitando os ombros. Ainda segundo a referida edição estadunidense “The New York Times Magazine”, seu prestígio e sua influência vão aumentando não somente em nível regional, mas também no global. É, em grande parte, graças ao Brasil que na América do Sul está se formando um dos centros do atual mundo multipolar.

Esta nota foi preparada para os amigos pelo nosso comentarista Ghennadi Sperski.

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