10 Novembro 2009, 09:18

MURO DE BERLIM ANTES E DEPOIS DA QUEDA

O Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, chegou a Berlim para participar nas comemorações dos 20 anos da queda do Muro de Berlim que dividiu, durante 28 anos, a capital alemã e a Europa. Com o advento da “perestroika” nos finais dos anos 80 na União Soviética, o Muro de 164 km de extensão tinha os dias contados. A solução pacífica do problema da reunificação da Alemanha era impossível sem uma posição aberta ao mundo assumida há 20 anos pela Rússia. Nós criámos juntos um precedente, nunca visto na história recente, de solução de problemas globais complicadíssimos com base na compreensão mútua e cooperação – disse hoje o Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, ao discursar nas solenidades comemorativas da queda do Muro de Berlim.


- Não há mais no mapa a URSS nem a RDA, mas há milhões de pessoas que cresceram e trabalharam conscienciosamente naqueles países, criando filhos e netos. Muito nos apraz ver que os 20 anos decorridos desde a queda do Muro de Berlim foram para a Rússia e a Alemanha um período de estabelecimento de novas relações em pé de igualdade, respeito e confiança recíprocos e autêntica parceria. Nesta altura, em que afirmamos conjuntamente as normas de cooperação internacional honesta e lutamos para vencer as dificuldades da actualidade, compreendemos melhor quão importantes foram para os nacionais da Alemanha unificada os acontecimentos de há 20 anos. Foram as suas esperanças e os seus anseios que destruíram o Muro de Berlim, muro de inimizade e confrontação – disse o Presidente russo.


Todavia, o Muro destruído deixou atrás de si um fantasma político. É desagradável verificar que, com o Muro de Berlim, não passou ao esquecimento a suspeita nas relações internacionais. Ficou a Aliança do Atlântico Norte que é encarada por alguns políticos como garantia quase total da segurança contra o agressor pelo qual se subentende a Rússia. Após a desagregação da URSS e a dissolução do Pacto de Varsóvia, os países leste-eropeus que a compunham aspiram a entrar na outra aliança político-militar. Segundo peritos e políticos, após a queda do Muro de Berlim, o Ocidente devia ter construído de outra maneira as suas relações com a Rússia.


Na Alemanha, são muitas as pessoas que ficaram decepcionadas com a reunificação do seu país e que desejariam reconstruir o Muro de Berlim. Esta ideia é defendida por um em cada oito alemães tanto no oeste como no leste da Alemanha. Um em cada três alemães, sobretudo no leste, constata que, com a reunificação, na Alemanha há mais injustiça. Mesmo assim, o facto de as solenidades estarem a ser presenciadas pelos líderes dos países europeus, da Rússia e dos EUA mostra que, no mundo contemporâneo, não há mais lugar para os fantasmas do passado e novos muros. O Presidente dos EUA, Barack Obama, não deixou passar despercebido o 20º aniversário da queda do Muro de Berlim, tendo proclamado o dia 9 de Novembro de 2009 como Dia Mundial da Liberdade. Há 20 anos, caiu a cortina de ferro, o mundo moderno enfrenta desafios decorrentes de muros que não foram construídos de betão e ferro, mas sim, se ergueram do medo, irresponsabilidade e indiferença.



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