29 Abril 2010, 17:37

Ártico: Zona de Interesses Geopolíticos da Rússia

Ártico: Zona de Interesses Geopolíticos da Rússia

O Ártico é uma zona de interesses geopolíticos da Rússia – declarou o primeiro-ministro Vladimir Putin durante a visita à Terra de Francisco José. Indicou, por outro lado, que uma cooperação internacional é imprescindível no que se refere à proteção ao meio natural da região ártica. É um assunto em que é simplesmente obrigatório acertar uma colaboração com os vizinhos.

Vladimir Putin visitou o arquipélago fazendo parte de uma expedição científica organizada pela Sociedade Geógráfica Russa no âmbito do programa nacional para estudo e salvação dos animais raros. Desta vez, o tema foi o urso-branco, um habitante autóctone dessas latitudes. Os estudiosos das regiões ao norte do Círculo Polar Ártico têm um ditado que diz que aquele que possui plena informação sobre o urso-branco possui todo o território do seu “habitat”. A Rússia tem todos os motivos para aspirar a essa condição – crê Vladimir Putin.

Não devemos esquecer que os interesses geopolíticos mais profundos da Rússia estão relacionados com o Ártico. Porque é aqui que se criam garantias de segurança e poder defensivo da Rússia. Porque é aqui que passa o Caminho Marítimo do Norte, uma via importantíssima de transporte. Aqui se levantam também, é claro, umas questões referentes à cooperação com outros países e à proteção ao reino animal.

Os guardas fronteiriços zelam pela segurança do trânsito dos navios pelo Caminho Marítimo do Norte e defendem os interesses econômicos do País, porquanto nesta parte da plataforma continental foram descobertas grandes reservas de petróleo, gás, diamantes e outros minérios úteis. Além disso, têm que sustentar uma luta contra os caçadores clandestinos de ursos-brancos. Os efeitos prejudiciais exercidos pelos homens sobre o meio ambiente incidem também na população de ursos-brancos. O primeiro-ministro apontou em seguida a necessidade de reparar a situação com urgência. E prosseguiu:

O nível de poluição excede os limites tolerados quase seis vezes. É necessário organizar uma faxina geral no Ártico. Penso que teria de ser uma parceria entre o Estado e o setor privado, mas, como é evidente, uns primeiros passos haveriam de ser dados pelo Estado, ou seja, definir as proporções e a natureza do problema, criar consciência sobre como se poderia organizar a reciclagem desses detritos e fazê-lo necessariamente nos tempos mais próximos.

Foi para compreender como é que os animais se adaptam às novas condições que os cientistas russos abriram um programa especial de pesquisas no Ártico. Esse programa arrancou ao fixar Vladimir Putin em um urso-branco uma coleira rastreata por satélite. Agora, os especialistas irão recebendo do animal a mais exata informação sem incomodá-lo.

O Ártico não é  somente uma zona dos nossos interesses, mas também uma zona precisando de redobrada responsabilidade – assinalou Vladimir Putin. – Para se poder preservar de forma eficiente o meio ambiente regional, é necessário chegar a entendimentos com os vizinhos com vista à colaboração.

Interessa notar que durante o seminário sobre a temática do Ártico, organizado nestes mesmos dias no Centro de Pesquisas Estratégicas e Internacionais de Washington, uma ideia semelhante foi manifestada pelo vice-secretário de Estado, James Steinberg, que declarou que nas atividades desenvolvidas no Ártico é necessário fundamentar-se no princípio de bem comum e apontou que os países regionais estão em condições de superar as divergências surgidas de tempos a tempos. Exemplos disso não faltam. Há uns dias, a Rússia e a Noruega fecharam um acordo compromissivo sobre as linhas de delimitação no mar de Barents e no oceano Glacial Ártico, documento que eliminou as tensões existentes entre os dois países durante quase 40 anos e que possibilita encetar muitos projetos conjuntos na região.

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