O gás está prestes a começar a correr pelo Nord Stream. O novo gasoduto, com uma extensão de quase mil e quinhentos quilómetros, atravessa o fundo do mar Báltico desde a cidade russa de Vyborg até à alemã Greifswald. De acordo com as estimativas do consórcio Nord Stream, o novo gasoduto poderá cobrir um quarto das necessidades europeias em gás. Já foram assinados contratos a longo prazo com clientes da Alemanha, Dinamarca, Holanda, Bélgica, França e Grã-Bretanha.
A principal fonte de abastecimento do gasoduto será o jazigo de gás“Iujnoruskoe, na península de Iamal, Sibéria Ocidental e, futuramente, o riquíssimo jazigo de Shtokman, no mar de Barents.
O académico Anatoli Dmitrievski, diretor do Instituto de Petróleo e Gás, fala sobre as perspetivas deste projeto:
Atualmente, as atenções do mundo estão viradas para a plataforma continental do Ártico. No Oceano Glacial Ártico existem reservas gigantescas de petróleo e gás. Os nossos especialistas, no navio Professor Shtokman - Shtokman foi um cientista oceanógrafo russo – descobriram este jazigo 600 quilómetros a nordeste de Murmansk. Os recursos prospetados atingem 3,7 mil milhões de metros cúbicos de gás natural, o que é 1,5 vezes mais que as reservas da Noruega, o principal fornecedor de gás à Europa. Os nossos parceiros na exploração do Shtokman são a empresa norueguesa Statoil e a francesa Total.O combustível deverá ser fornecido ao gasoduto Nord Stream e, em forma liquefeita, ser exportado para a América do Sul, Índia e China. O mercado da região asiática do Pacífico, em rápido crescimento, pode vir a ser o mercado prioritário para a nossa indústria de GNL – gás natural liquefeito.
De início, os autores do projeto contavam principalmente com o mercado norte-americano. No entanto, o “lugar” acabou por ser ocupado pelo gás de xisto. Existe de fato um problema de distribuição, com o qual a questão das decisões de investimento no projeto Shtokman está relacionada, reconhece o académico.
Os parceiros estão a estudar com atenção o mercado de gás, tendo em conta todos os fatores: “a febre do gás de xisto”, as divergências quanto aos preços entre a Rússia e a Ucrânia, a situação em África, os índices de atividade empresarial, o abrandamento dos ritmos de crescimento da economia mundial. Tudo isto são riscos que não aumentam o otimismo dos investidores.Por outro lado, a acreditar nas previsões, daqui a 20 anos, as necessidades de gás na Europa irão crescer em 150 mil milhões de metros cúbicos. É pouco provável que o gás de xisto, que é caro, os painéis solares ou os fornecimentos de gás liquefeito do Qatar consigam ocupar tal nicho e satisfazer tais necessidades.
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