22 Março 2012, 17:19

Ecos da guerra líbia chegaram ao Mali

Ecos da guerra líbia chegaram ao Mali

O golpe militar no Mali resultou diretamente da desestabilização da situação no norte do país, onde as tropas governamentais recuam sob pressão dos rebeldes tuaregues. E o êxito dos rebeldes se deve, segundo os peritos, à recente chegada ao Mali de numerosos tribos tuaregues que antes combateram do lado de Muamar Kadhafi.

A guerra na Líbia provocou a desestabilização da situação ao longo de todas as fronteiras do país. E esta onda chegou também ao Mali. A situação agravou-se ainda mais após a ingerência de extremistas do grupo Al Qaeda no Magreb islâmico no conflito maliano. Se na Líbia este grupo se opunha aos tuaregues, aliados de Kadhafi, no Mali os combatentes islamistas apoiam os rebeldes tuaregues.

Foi exatamente a ingerência do Al Qaeda no Magreb islâmico que, na opinião de peritos, tornou a confrontação no norte do Mali tão grave e politicamente insolúvel. Eis a opinião do observador Evgueni Ermolaev a este respeito:

“Ainda nos inícios do ano passado, quando começaram os ataques ao regime de Kadhafi, soaram as primeiras advertências sobre a presença de combatentes de Al Qaeda nas fileiras dos chamados rebeldes. Constataram-no não só o próprio Kadhafi como também militares e agentes de informação estadunidenses. Esse fato não confundiu, porém, os políticos ocidentais e seus aliados nos países do Golfo Pérsico.

Hoje, já são conhecidas bastantes provas de que Al Qaeda foi dominando parcelas do território líbio, sob proteção da Força Aérea da OTAN.”

O serviço de inteligência do Mali informou mais de uma vez que a Al Qaeda no Magreb islâmico havia intensificado suas atividades no norte desse país, desde os inícios deste ano. Segundo esse serviço, o comando daquele grupo extremista está instalado presentemente no território líbio, utilizando-o como base de apoio. Esta notícia não interessou nem aos franceses nem aos norte-americanos (muito enérgicos tanto no Mali como na “nova” Líbia). O Mali, um país extremamente pobre, ficou a sós com os seus problemas. Os atuais acontecimentos em Bamakó são um desenlace lógico.

O tema é continuado pelo politólogo  Andrei Grozin:

“A Líbia está se transformando em fonte de ameaça não só para os países vizinhos como também a outros países. Está se tornando a “versão norte-africana do Afeganistão”. O seu território é controlado por bandos armados, uma grande parte dos quais está subordinada à

Al Qaeda

ou a estruturas afins. Verifica-se uma infiltração de seus combatentes noutros países. E, onde quer que eles apareçam, estão semeando conflitos e instabilidade. Isto não interessa os europeus e norte-americanos  ocupados com a apropriação das riquezas da Líbia.

Entretanto, seus aliados na campanha líbia estão penetrando no espaço africano".

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