29 Março 2012, 14:49

Que fazer com o lixo espacial?

Que fazer com o lixo espacial?

Hoje,  29 de março, se assinala o 40º aniversário de assinatura da Convenção sobre a Responsabilidade Internacional por Danos Causados por Objetos Espaciais. Felizmente, este acordo nunca chegou a ser utilizado na prática jurídica. Mas, nos últimos anos, ele tem atraído maior atenção quando se fala das garantias de segurança dos novos projetos orbitais.

Ao longo dos anos, cada vez mais objetos espaciais lançados pelo homem acabam por cair na Terra, por terem ficado sem controlo ou no final de sua vida útil. Até agora, ainda não houve casos de danos graves para seres humanos motivados por tais quedas, mesmo quando foi registada a única colisão de satélites no espaço, ocorrida em 2009. Dois satélites – o russo Kosmos e o americano Iridium – estavam voando ao encontro um do outro com a mesma velocidade de 7,5 mil metros por segundo, colidiram e se destruíram completamente. A Convenção não foi utilizada para esse precedente, as partes se juntaram para analisar o sucedido, lembra o supervisor do Instituto de Política Espacial, Ivan Moiseiev.

“No espaço não existem regras de trânsito. Em teoria, é claro, este acordo pode ser usado para apresentar reclamações e pedir indenizações. Mas, neste caso as reclamações iriam ser mútuas porque a mecânica espacial funciona assim”

Este acidente deixou em órbita da Terra cerca de 600 destroços. O acidente confirmou o cenário hipotético apresentado anteriormente pelo consultor da NASA Donald Kessler. A incógnita da síndrome de Kessler é o efeito dominó. Uma colisão de dois objetos grandes leva ao aparecimento de um grande número de novos destroços. Cada um deles, por sua vez, pode colidir com outros detritos, causando assim uma reação em cadeia de nascimento de novos detritos. Essa avalancha de colisões pode tornar o espaço próximo da Terra inutilizável para voos. Por exemplo, recentemente, em 24 de março deste ano, a tripulação da Estação Espacial Internacional foi forçada a evacuar o compartimento principal do aparelho Soyuz . Havia um risco de colisão com um destroço de satélite. E esta foi já a terceira vez que tal aconteceu na história da EEI.

Outro perigo da síndrome de Kessler é que os destroços de satélites, baixando de órbita, podem cair na Terra. O que se pode fazer então? Atualmente estão sendo desenvolvidos projetos usando um laser para destruir destroços descontrolados. Existe também o projeto de um potente reboque com foguetões elétricos movidos a energia nuclear, que será capaz de “limpar” efetivamente o espaço de destroços, diz o consultor científico da Corporação russa Energia, Victor Siniavski.

“O sistema é reutilizável. Permite coletar um grande número de satélites passivos e, em seguida, baixá-los para a Terra afundá-los no oceano. Ou, pelo contrário, levá-los para uma órbita segura, onde poderão permanecer em forma de grande massa para futuras missões técnicas robotizadas.”

De uma forma ou outra, a solução para o problema do lixo espacial está se tornando uma área prioritária de cooperação entre as principais potências espaciais. Ela inclui o monitoramento ambiental do espaço próximo da Terra, a modelagem matemática de trajetórias possíveis de voo de detritos espaciais, bem como a continuação do desenvolvimento do direito espacial internacional.

 

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