16 Julho 2012, 18:58

Suicídio como única alternativa

Suicídio como única alternativa

Anualmente, cerca de quatro milhões de pessoas abandonam voluntariamente a vida.

A primeira posição neste ranking terrível ocupa a Lituânia – segundo as estatísticas, 35,5 em cada cem mil pessoas suicidam-se cada ano naquele país europeu tranquilo. A seguir é o Cazaquistão, onde há aproximadamente 30 suicidas em cada cem mil pessoas. No Japão, um dos países mais ricos e desenvolvidos do mundo, o nível de suicídios é muito alto – cerca de 24 em cada cem mil pessoas acabam voluntariamente com a vida. A Rússia demostra indicadores semelhantes – 22 por cem mil pessoas.

Por que razão as pessoas empreendem este passo? As causas são diferentes. Na França, já é o segundo antigo dirigente da companhia France Telecom comparece no tribunal acusado de escarniar de seus funcionários e de levá-los a suicídios. Na Grécia, vários reformados acabaram publicamente com a vida, não tendo forças de sobreviver a consequências da crise econômica. Esta é uma das principais caraterísticas paradoxais do século XXI – com o crescimento do bem-estar geral e da moderação de vida cada vez mais pessoas consideram que o suicídio é a única alternativa de solucionar os seus problemas.

Meios de comunicação social russas publicam cada vez mais frequentemente materiais sobre “epidemia de suicídios”, referindo estatísticas das quais o sangue gela nas veias: “cada ano, 1500 crianças acabam com a vida e mais 4000 empreendem tentativas de suicídio”. “Esta não é uma epidemia de suicídios, trata-se de uma tragédia estatal”, cita o portal noticioso MIGNews as palavras do encarregado do presidente da FR para os direitos infantis, Pavel Astakhov. Contudo, o dirigente do Centro de Psicologia de Crises, Mikhail Khasminski, não concorda com este ponto de vista, acusando de tudo jornalistas:

"A publicação de tais materiais é uma das manifestações da lei de confirmação social, quando as pessoas fracas, indecisas encontram apoio em ações de outros. Para os mass media, os assassinatos, suicídios e violência são um “tema quente” que é interessante para as pessoas não carregadas de potencialidades espirituais e intelectuais."

Contudo, a possibilidade e a perspetiva de abandonar voluntariamente a vida sempre foi interessante para as pessoas independentemente de seu nível intelectual, de taxa de rendimentos ou de origem nacional e etária. Em fevereiro, duas jovens estudantes russas saltaram de braços dados do teto de um edifício de muitos andares. Em junho, uma reformada fez explodir em conjunto consigo um prédio residencial numa rua em Moscou. Maria S., estudante médica de 19 anos, que praticou duas tentativas de suicídio na adolescência, considera que tais tentativas são próprias a todas as pessoas, inclinadas à reflexão:

"Vivemos em tempos intranquilos, quando tudo é permitido – as crianças começam muito cedo a beber, a fumar e a consumir drogas, o que não pode deixar de influir no sistema nervoso. Amor precoce, problemas nas relações, na família influem sem dúvida na criança, mas, a meu ver, as causas principais de suicídios são a falta de atenção, a incompreensão e a solidão. São elas que provocam a vontade de acabar com a vida e criam uma sensação de inutilidade. Frequentemente, são propensas a suicídios as pessoas sensíveis que não simplesmente se afligem ou se alegram, mas deixam passar através de si cada situação."

A própria Maria tentou suicidar-se por causa de problemas familiares e da sensação de sua inutilidade: aos 12 anos o pai disse-lhe que a odia e Maria decidiu saltar da janela. Passados dois anos, após mais um drama familiar, a jovem engoliu soníferos, mas em quantidade insuficiente para morrer e foi salva. Maria diz que ingressou conscientemente numa escola médica após o sobrevivido. Quer formar-se neuropatologista ou psiquiatra, porque a sua experiência pode ajudar as pessoas em situações semelhantes. Não praticou mais tentativas de acabar com a vida. Mikhail Khasminski diz que a higiene espiritual é a melhor profilaxia à vontade de abandonar a vida:

"As pessoas que têm uma vida espiritual compreendem o que é um suicídio, compreendem o que é o senso de vida e não cometem tais coisas. Contudo, as pessoas que só gostam de consumir, são frustradas constantemente. Não conseguem atingir o cúmulo que lhes é colocado: seja um veículo, ou uma vivenda, seja um jovem ou uma jovem amante, ou algo mais. No fundo, nenhuma pessoa pode atingir este cúmulo e, frequentemente, estes sentimentos levam a autoagressão."

Maria concorda com este ponto de vista, mas com uma ressalva de que a religião não é uma panaceia contra os suicídios. Este é um modo de entender que “esta vida não é dada simplesmente, que tu ainda és necessário neste mundo”. Não é de excluir que graças a esta posição não há suicidas nos países da África e da Oceânia. Praticamente todos os povos vivem na esperança de uma próxima sorte que deve cair literalmente na sua cabeça, tais como, por exemplo, os adeptos do Culto Cargo na Papua-Nova Guiné. Não se dedicam à solução de problemas emocionais, resolvendo questões essenciais de cada dia.

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