6 Agosto 2012, 18:00

Costumes do exército dos EUA: um mês de prisão pela morte de um soldado

Costumes do exército dos EUA: um mês de prisão pela morte de um soldado

O sargento Adam Holcomb foi condenado a apenas um mês de prisão pelas sevícias a que foi sujeito um companheiro de armas de origem chinesa. A sua vítima acabou por se suicidar.

Se trata de mais um escândalo envolvendo o exército dos EUA a atrair as atenções dos defensores dos direitos humanos, dos juristas e dos jornalistas. O mesmo caso inclui as relações inter-étnicas, as questões dos costumes militares e a lógica dos juízes.

Não difícil imaginar o escândalo que isso provocou nos círculos politicamente corretos dos Estados Unidos. O praça Danny Chen, de 19 anos, filho de chineses, nascido nos EUA, a cumprir serviço militar no Afeganistão se matou devido aos maus tratos dos colegas. O rapaz era maltratado por causa da sua nacionalidade. Segundo foi apurado durante o processo, o sargento Adam Holcomb e seus colegas ofendiam permanentemente Chen, escreviam alcunhas humilhantes na sua fotografia oficial, recorriam à violência. Em geral, faziam tudo para rebaixar o jovem soldado. Tudo isso em condições de estresse constante – durante o serviço no Afeganistão.

As declarações de testemunhas, no entanto, não impressionaram minimamente os jurados. A sentença do sargento Adam Holcomb surpreendeu toda a gente: 30 dias de prisão, multa e despromoção em um posto. Ele nem sequer foi expulso do exército, declara indignada a também chinesa de origem Margaret Chin, membro do conselho municipal de Nova IYork.

“Ficámos extremamente desiludidos pelas acusações mais sérias terem sido retiradas. Nós esperávamos que ele tivesse a sentença máxima nem que fosse só pelos artigos em que foi considerado culpado. Mas, para nossa desilusão, a sentença foi muito suave e o sargento Holcomb nem sequer será passado compulsivamente à reserva.”

Por todas as acusações apresentadas, o sargento Holcomb podia ter sido condenado a 14 anos de prisão. Mas levou só um mês. O tribunal rejeitou as acusações de homicídio por negligência e de homicídio não premeditado, aceitando apenas os “maus-tratos” e o “agressão a um colega”. É notável a lógica do advogado militar: afinal Danny Chen era um mau soldado. Parece que deixava ficar mal a sua unidade, tinha má preparação física e, de resto, era um fraco e tinha problemas com os pais imigrantes. Claro que o último argumento provocou também a indignação dos familiares. Os defensores dos interesses da família dizem agora que os militares tentam defender a honra da farda desonrando o militar morto. Mas a família de Chen não tenciona desistir.

Ainda é cedo para pôr um ponto final neste processo. Em primeiro lugar, vai haver recurso da sentença do sargento Holcomb. Os familiares do soldado morto tencionam recorrer ao comando militar. Em segundo lugar, o caso tem ainda mais 8 pessoas a quem foram apresentadas acusações: de participação na morte de Danny Chen ou de conivência.

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