27 Outubro 2012, 12:32

A desintegração da Ucrânia é possível mas pouco provável

A desintegração da Ucrânia é possível mas pouco provável

Na Ucrânia terminou a campanha de propaganda antes das eleições à Câmara Alta. Segundo as pesquisas, entrarão no parlamento quatro partidos e uma união política. Mas, segundo tudo indica, nenhum dos cinco jogadores, mesmo em coligação com os aliados mais prováveis, não terá maioria estável.

A Rada Suprema da 7ª convocação será uma cópia bastante exata da sociedade ucraniana, dividida não apenas por características culturais, étnicas e religiosas, mas também no plano ideológico, pela avaliação do papel histórico da Ucrânia e vector do desenvolvimento de seu estado. As preferências dos eleitores têm caráter de zona geográfica bastante precisa. Os especialistas, na qualidade de fronteira eleitoral convencional, citam o rio Dnepr. A Ucrânia da margem esquerda (junto com a Criméia autônoma no sul do país) votam no partido das regiões (o partido no poder hoje) e nos comunistas (que declaram o internacionalismo). A Ucrãnia da margem direita quase que inteiramente é a favor da oposição e dos nacionalistas. Naturalmente que esta orientação é muito convencional. O quadro real na verdade é muito mais complexo e confuso. Mas é importante o princípio: a divisão no eixo “Ocidente-Sudeste”.

Existem premissas objetivas para essa divisão. A inclusão da Ucrânia da margem esquerda na composição do império russo levou a desenvolvimento mais rápido da industria do que na margem direita. A Ucrânia ocidental nunca foi território industrial. Fazendo parte da Rzecz Pospolita, império áustro-húngaro e da Polônia, ela manteve sua identidade na base do nacionalismo. Os “orientais”, porém, não se interessavam em especial pela questão nacional. Sendo em sua maioria bilingue eles escolheram e continuam a escolher o russo ou ucraniano, partindo da comodidade de comunicação e não de pontos de vista políticos. No ocidente da Ucrânia a maioria da população fala ucraniano. Entendendo o russo e até mesmo sabendo falar esta língua em caso de necessidade, os “ocidentais” via de regra, consideram prioridade conservar a cultura, história e língua ucranianas – assinala o pesquisador britânico Itan Burguer.

Hoje, infelizmente, intensificaram-se os ânimos antagônicos. Pode ser que a Ucrânia se desmembre. São duas variantes: o roteiro checoslovaco e o jugoslavo-sérvio. A situação na Ucrânia é mais próxima do modelo checoslovaco, até mesmo apesar de as regiões orientais professarem a ortodoxia e as ocidentais – o catolicismo. Possivelmente, justamente por isso os especialistas (entre aqueles que consideram que a questão da desintegração da Ucrânia está quase decidida) pendem para um desenvolvimento mais ou menos pacífico dos acontecimentos. Também os vizinhos da Ucrânia não permitirão desencadear uma grande briga.

Aliás, a maioria dos especialistas consideram quase improvável o desmoronamento da Ucrânia. Entre eles está o redator-chefe da revista Rússia e política global, Fiodor Lukianov:

"Eu penso que a Ucrânia não se desmembrará. A Checoslováquia e a União Soviética desmembraram-se pelas fronteiras administrativas existentes. Elas poderiam ser absolutamente arbitrárias, mas elas existiam. Isto foi o fundamento. A Ucrânia é extremamente heterogênea, mas também, em certo sentido, muito íntegra. A parte principal do país, falando convencionalmente, é o leste, mas a idéia nacional está no oeste. E o leste sem o oeste perde o apoio. Terão de se agüentar mutuamente."

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