5 Abril 2013, 19:03

Vladimir Putin: opção democrática da Rússia é irreversível

Vladimir Putin: opção democrática da Rússia é irreversível

Nas vésperas da visita de trabalho à Alemanha, agendada para os dias 7-8 de abril, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, concedeu uma entrevista à maior cadeia televisiva alemã, a ARD, na qual abordou vários temas – as relações econômicas bilaterais, as consequências da crise financeira no Chipre, a posição de Moscou na questão síria e alguns outros problemas.

A questão da atividade de organizações não-governamentais russas financiadas por fontes estrangeiras não ficou à margem.

No âmbito da visita estão previstas conversações do presidente russo com a chanceler alemã, Angela Merkel, e a participação na cerimônia de inauguração da Feira Industrial em Hannover. Vladimir Putin fez recordar que a União Europeia (UE) é responsável por 50% das trocas comerciais da Rússia. Entre os países comunitários, a Alemanha mantém a liderança nas relações econômicas com o nosso país, sendo o seu maior investidor.

"O intercâmbio comercial constitui hoje 74 mil milhões de dólares e tende a aumentar, apesar de problemas pendentes. Por trás deste índice estão postos de trabalho e troca de tecnologias modernas. A RFA continua sendo um dos principais investidores, com um montante de 25 bilhões de dólares de investimentos acumulados. No ano passado, os investimentos aumentaram em 2,2 mil milhões de dólares".

O encontro de Putin com Merkel realizar-se-á pela primeira vez após a aplicação de medidas draconianas visando o restabelecimento do setor bancário cipriota. O líder russo qualificou de absurdos os métodos de confiscação de poupanças para a solução de problemas que pouco tinham a ver com o dinheiro dos depositantes. Respondendo à pergunta sobre alegado "dinheiro sujo" depositado no Chipre e proveniente da Rússia, disse:

"Se se tratou realmente de lavagem ou branqueamento de dinheiro, tal tem de ser provado. Será que desconhecemos as regras elementares? Uma delas se chama presunção de inocência. Então, guiando-se por este princípio jurídico, como se pode atirar a culpa para cima de todos os titulares, dizendo que são ladrões?"

Referindo-se à situação na Síria, Putin salientou que Moscou se manifesta, como dantes, pela regularização política sem a apresentação de quaisquer ultimatos.

"Agora não está claro para onde irá a Líbia que, de fato, se desintegrou em três partes. Não queremos que na Síria se repita a situação que se vive no Iraque e no Iêmen",ressaltou o presidente da Rússia.

Solicitado a comentar a atividade de 654 organizações não-governamentais russas financiadas por outros países, realçou que as leis análogas existem, por exemplo, nos EUA. O Kremlin não inventou algo novo nessa vertente. Segundo frisou o presidente, "Apenas nos últimos 4 meses após a entrada em vigor da respetiva lei que regula a atividade dessa entidades, para as suas contas bancárias foram transferidos do estrangeiro 28 bilhões e 300 milhões de rublos, o que equivale a quase mil milhões de dólares! Mais 855 milhões foram transferidos através de representações diplomáticas. Trata-se, pois, de organizações que se ocupam de atividades internas. Será que a nossa sociedade não tem o direito de saber quem e para que fins recebe esse dinheiro?"

A mais inesperada foi, talvez, a pergunta sobre planos de Vladimir Putin para o futuro quando abandonar o cargo presidencial.

"Gosto muito de Direito e Literatura e espero ocupar-me dessas coisas sem que haja qualquer ligação com o trabalho em estruturas públicas. Poderá haver ligação com outras áreas, como as relações sociais e o mundo do esporte".

Resumindo, vale notar que Vladimir Putin costuma ser entrevistado pela ARD em véspera de visitas importantes à Alemanha. A 8 de abril, no dia seguinte às conversações bilaterais, Putin e Merkel depositarão coroas de flores junto ao memorial dedicado aos prisioneiros do campo de concentração nazista em Alem, nos subúrbios de Hannover.

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