25 Março, 15:26

Não apenas o Alasca quer regressar à Rússia

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Uma petição criada para devolver o Alasca à Rússia foi publicada no site da Administração do presidente dos EUA e em três dias reuniu 14 mil assinaturas.

Posteriormente, o documento foi retirado da lista aberta de petições, embora as primeiras 150 assinaturas lhe garantissem a acessibilidade para a votação. Peritos destacam que não se deve falar de uma tendência à desintegração dos Estados Unidos, mas também é impossível reagir a tais petições como a uma brincadeira. Os autores desta petição, tal como de outras mensagens sobre a saída de alguns estados da composição dos EUA, tentam fazer lembrar à Casa Branca sobre os fundamentos estatais e, em particular, sobre a Declaração da Independência.

Um habitante de Anchorage, a maior cidade no estado do Alasca, publicou sua mensagem um par de dias após a Crimeia ter saído da composição da Ucrânia para se reunificar com a Rússia. Para fundamentar a petição, ele referiu que os primeiros europeus na história a pisar em 1732 as terras do Alasca foram os tripulantes do navio russo Svyatoi Gavriil (São Gabriel) sob o comando de Mikhail Gvozdev e Ivan Fedorov. O autor apela a que seja apoiado o voto a favor da “saída do Alasca da composição dos EUA e da entrada na Rússia”.

Os Estados Unidos compraram o Alasca à Rússia em 1867 por 7.200 mil dólares. Mesmo se Washington tivesse violado algumas cláusulas do acordo, todos os prazos de prescrição haviam expirado há muito. Por isso, à primeira vista, a petição se interpreta como ridicularização das autoridades norte-americanas. Mas, no contexto de outros pedidos de se separar dos EUA, este documento já não parece tão leviano. O site We The People contém publicações de semelhantes petições em nome de habitantes de 29 dos 50 estados. A Casa Branca deve dispensar atenção à semelhante tendência, considera o vice-presidente do Centro de Comunicações Estratégicas, Dmitri Abzalov:

“Como mostra a prática, a maioria dos países que se concentraram na política externa deixaram escapar processos separatistas dentro dos seus próprios Estados, como, por exemplo, a Espanha, Inglaterra e países do Sudeste Asiático. Para Washington também é importante dedicar-se mais aos problemas internos que são bastante sérios e dizem respeito em primeiro lugar ao orçamento interno e à dívida externa. São muito mais importantes em comparação com a posição de Kiev ou da Ucrânia, desconhecida em princípio pela maioria de cidadãos americanos. No caso contrário, o risco de reincidência da situação no sudeste da Ucrânia ou em países da Europa será grande também para os Estados Unidos.”

Se até 20 de abril a petição sobre a “devolução do Alasca à Rússia” reunir 100 mil assinaturas, a Administração deverá reagir ao documento, embora a reação consista apenas numa resposta à mensagem. Por exemplo, a petição sobre a saída do Texas da composição dos EUA em 2012 foi assinada por mais de 125 mil pessoas, mas as autoridades do país responderam que os mandamentos dos pais-fundadores não preveem o direito a abandonar a composição do Estado, sem terem lembrado da Declaração da Independência aprovada pelos mesmos “pais-fundadores” em que se estipula que pode formar-se uma situação, quando “um dos povos deve rescindir laços políticos que o ligam a outros povos” para garantir a “segurança e felicidade”. Agora, habitantes de 29 estados lembraram-se destas palavras, embora já seja claro antecipadamente que todas estas petições também não serão consideradas.

Por outro lado, a Declaração não será lebrada no contexto da situação em torno da Crimeia e da Ucrânia. Não se deve falar também do “precedente do Kosovo", porque o “resto do mundo”, distante da ideia da democracia, não é capaz de entender que o Kosovo é um “caso específico”. A Escócia ou as Mavinas podem seguir este exemplo, mas a Crimeia – nunca! Mas, pelo visto, Washington e seus aliados tentam em primeiro lugar tranquilizar a si mesmos com essas prédicas. Nos últimos anos, a política do Big Browser convenceu a parte sensata da humanidade que é necessário estar longe de tais ideais “democráticos”, aponta o diretor do Centro de Avaliações Democráticas, Serguei Grinyaev:

“A situação do referendo da Crimeia é uma tendência dos tempos. Ultimamente, a direção de muitos países aplica uma política não eficaz. Um testemunho disso é a crise econômica global, quando países inteiros sofrem falência. Sem dúvida, a maior parte da população do planeta não aceita tal situação. Evidentemente, neste pano de fundo, estamos observando e vamos observar como os povos irão reclamar o direito à autodeterminação.”

Segundo as petições, as causas principais que estimulam cidadãos americanos à autodeterminação são a política indistinta das autoridades federais, reformas econômicas imprestáveis e violação de direitos humanos. Já há mais de 300 mil pessoas que querem separar-se de Washington. Peritos destacam que este número ainda está longe da “massa crítica”, mas a tendência já é evidente. Ao que tudo indica, Barack Obama terá de buscar em breve razões convincentes contra a separação dos Estados Unidos.

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