2 Dezembro 2010, 14:52

Brónnitsi: Destino Dramático de uma Heroína de Puchkin e Tolstoi

Brónnitsi: Destino Dramático de uma Heroína de Puchkin e Tolstoi
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A ancestral cidade de Bronnitsi está situada 50 quilômetros a sudeste de Moscou. Tem somente 19 mil habitantes. Centro municipal patriarcal, hoje em dia ele aparece no rol de cidades históricas da Rússia.

A ancestral cidade de Bronnitsi está situada 50 quilômetros a sudeste de Moscou. Tem somente 19 mil habitantes. Centro municipal patriarcal, hoje em dia ele aparece no rol de cidades históricas da Rússia.

A primeira impressão do viajante passando por aqui é a limpeza do bairro histórico que conservou a planta regular de fins do século XVIII, o asseio e um vento fresco formidável nas margens do rio Moscova. E estão aqui também uns monumentos arquitetônicos admiráveis: as casernas de um regimento de cavalaria da época das Guerras Napoleônicas e o imponente complexo eclesiástico de Arcanjo Miguel, levantado no século XVIII.

Esse conjunto de igrejas abriga dois túmulos antigos cuidadosamente conservados: um, do general Mikhail Von Wisen, e o outro, de Ivan Puchin, amigo do grande poeta russo Aleksandr Puchkin e um dos líderes da inssurreição antigovernamental em dezembro de 1825. Foi uma tentativa de golpe de Estado para liberalizar o regime sócio-político, um acontecimento miliário na história da Rússia. Seus integrantes seriam depois batizados de Dezembristas.

Como se vê, é nestas paragens à primeira vista tão calmas e patriarcais que se desdobraram uns acontecimentos dramáticos que serviriam de base para um dos enredos mais grandiosos da literatura russa clássica de importância mundial.

Surpreendentemente, o destino do general Von Wisen e do dezembrista Ivan Puchin seria intervinculado por uma mulher: Natalia Apukhtina, filha de um fazendeiro local. Foi justamente quem serviu de protótipo de Tatiana Larina, personagem principal do cultuado romance em verso “Eugênio Oneghin”, de Aleksandr Puchkin.

Durante sua juventude, Natalia Apukhtina aceitava os galanteios de um paquerador local, mas depois se casou com o general Von Wisen. Tinha ela 18 e o militar retirado, já 35. O cortejador então voltou por algum tempo com suas atenções, mas foi rejeitado pela orgulhosa Natalia.

Aquela história criou muita celeuma nos meios da nobreza nacional e passou a constituir a fábula da obra mais importante da poesia russa: o romance “Eugenio Oneghin”. Sua protagonista Tatiana Larina também rechaçou o namoro de um jovem requestrador quando se casou com um general velho.

Todavia, a dramática história não acaba por aí.

O general Von Wisen também aderiu à inssurreição dos Dezembristas e depois de esmagada a revolta recebeu 8 anos de trabalhos forçados. Em seguida, o general foi mandado ao exílio, e Natalia Apukhtina passou 25 anos ao lado do marido a enfrentar provações na distante Sibéria. Foi uma façanha heróica de uma mulher russa.

Então, em uma masmorra siberiana penava um outro escritor russo grande: Fiodor Dostoievski. Natalia Apukhtina visitou-o e lhe entregou às escondidas um Evangelho com uma importância pecuniária vultosa considerável para aquela época, para que pudesse sobreviver atrás das grades.

Pela morte do general Von Wisen, Natalia voltou a casar-se, agora com o dezembrista Ivan Puchin. Agora, os restos mortais dos seus dois maridos jazem no cemitério ao lado da igreja matriz da cidade.

E o túmulo dessa mulher de triste sina que durante a vida toda pediu para ser chamada não Natalia e sim Tatiana (era, recorde-se, o nome da heroína do romance de Aleksandr Puchkin), infelizmente, não se conservou.

O conde Leon Tolstoi, um clássico da literatura russa, conhecia aquela história trágica. E decidiu fazer de Natalia Apukhtina a personagem principal de um romance miliário a ser intitulado de “Os Dezembristas”. Mais tarde, porém, abandonou aquela intenção, indo os materiais por ele juntados servir de base para o romance “Guerra e Paz”. Foi como Natalia Apukhtina se tornou protótipo de Natacha Rostova, uma das personagens principais da famosa obra.

A história literária de Bronnitsi é rica: aqui viveram no século XIX filhos e netos de Aleksandr Puchkin. Aleksandr, o filho mais velho, era juiz de paz, resolvia diferendos entre fazendeiros e lavradores. Já o neto, também Aleksandr, foi eleito pelo povo para governador de todo o distrito.

Bronnitsi é uma cidade muito antiga, seu nome é conhecido desde meados do século XIV. Era então uma possessão de príncipes moscovitas em que se fabricavam as famosas cotas de malhas russas e demais peças da armadura militar. Daí, o nome Bronnitsi, porque a palavra russa “bronh” significa exatamente “couraça”.

A propósito, a arte de fazer uma cota de malhas é sobremaneira complicada. Esse camisão protetor contra as armas brancas era trançado com uns milhares de argolas de ferro pequenas. E quando com o progresso das máquinas de guerra a necessidade de tais camisas metálicas acabou, os artífices de Bronnitsi passaram a trançar correntes de ouro e de prata, com muito sucesso.

Agora, uma das indústrias mais importantes da cidade é a Fábrica de Joias, uma grife amplamente conhecida. Oferece uma rica gama de adornos de metais preciosos não muito caros, porém linadamente executados no estilo russo.

Acabam de ouvir uma viagem radiofônica para a histórica cidade russa de Bronnitsi, no entorno de Moscou. Boa noite e até novas viagens!

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