Exposição Caravaggio – Privilégio de Moscou
Um evento único, sem precedentes. É assim que os peritos consideram a exposição do grande mestre italiano Michelangelo da Caravaggio em Moscou, no Museu de Belas Artes Pushkin.
E essa admiração é compreensível, pois nunca se reuniu numa exposição tantas obras de Caravaggio. Moscou se tornou a primeira capital privilegiada quando a Itália lhe confiou de uma só vez 11 quadros de valor inestimável. E não foram somente pinturas dos museus que trouxeram à Rússia, mas também oriundas de igrejas, e até mesmo do Vaticano. A Rússia e a Itália têm longa parceria, o que tornou possível a realização desse projeto, que n a essência é um projeto visionário, diz a diretora do Museu Pushkin, Irina Antonova.
A principio eu diria que uma exposição como essa seria impossível de acontecer, pois é quase impossível montar uma exposição de Leonardo da Vinci ou Rafael. Este projeto entra não só na história secular do nosso museu. Este certamente entrará para a história das atividades de exposições na Rússia. E sem nenhum exagero eu posso dizer que este é o maior evento na história da cultura russa.
As onze pinturas de Caravaggio mostram a trajetória completa do artista - de seus primeiro trabalho, Cesto de frutas, até seu último quadro O Martírio de Santa Úrsula que foi produzido nos anos mais dramáticos da vida do artista quando ele foi ameaçado de punição severa, incluindo a pena de morte por matar acidentalmente o companheiro durante um jogo de bola.
Se escondendo da perseguição Caravaggio alimentava a esperança de ser perdoado. Porém esse perdão chegou tarde demais: o artista morreu como se esperava de malária. Ele viveu apenas 39 anos. Mas nesse curto período ele conseguiu anunciar a chegada de novos Tempos no mundo da arte. Ele é o responsável pela descoberta de novos gêneros da pintura - natureza-morta, cenas de gênero. Tudo isso é a oposição de uma visão idealizada do mundo renascentista, disse em entrevista à Voz da Rússia, a especialista Nadezhda Reyn.
Caravaggio disse: A natureza - o meu algoz. Ele pode ter sido um dos primeiros pintores que tenha se dirigido ao mundo real à sua volta. Mas ele é um artista, e conseqüentemente ele transforma este mundo. Caravaggio criou seu próprio sistema de iluminação da composição: de um fundo escuro para um fundo colorido de raios brilhantes da luz que envolve um determinado personagem. O que atua de forma incrivelmente forte sobre o sistema emocional humano, e qualquer pessoa que vê as pinturas de Caravaggio, inconscientemente é tomada pelo fluxo da consciência artística do autor. Caravaggio não criou um estilo, ele criou toda uma nova tendência, continua a especialista. Ele foi o fundador do período barroco - e não só na Itália, mas em toda a Europa.
A exposição de Moscou reforça e mostra as particularidades do visual/escultural das pinturas de Caravaggio: quatro salas imersas na semi-escuridão e deste fundo escuro se arrebatam pinturas especialmente iluminadas.
As paixões apolíticas dos políticos
A atividade criadora em troca da atividade política – às vezes é assim mesmo que ocorre a virada no destino de um proeminente estadista. Aliás, alguns conseguem ser ao mesmo tempo um criador artístico e criador político.
E logo vem à memória o nome de Silvio Berlusconi. Uma semana depois de deixar o cargo de primeiro-ministro da Itália ele lançou um CD com 11 músicas. As canções são interpretadas pelo compositor e cantor Mariano Apicella, e o autor da letra é Silvio Berlusconi. Porém isso não é de agora: o CD atual intitulado Amor Verdadeiro é o quarto e pela frente já vem o quinto. E mesmo antes quando Berlusconi foi político ativo, nunca se viu impedido de escrever seus poemas, e até mesmo entoa bem as suas próprias canções.
A música é uma obsessão para muitos políticos. Podemos recordar o presidente venezuelano, Hugo Chávez, que adora cantar canções folclóricas de seu país. O ex-primeiro-ministro do Japão Junichiro Koizumi prefere música estrangeira: é fã de Elvis Presley, sendo até mesmo destacado como interprete dos sucessos do rei do rock-and-roll americano e fazendo dueto com o ex-ministro das Relações Exteriores da Austrália, Alexander Downer. Há alguns anos, Ferenc Gyurcsany - então primeiro-ministro da Hungria se destacou com um vídeo caseiro onde cantava e dançava músicas contagiantes.
No entanto, se alguém tentar comparar o comportamento de um estadista, com seu gosto musical, dificilmente verá nisso algum sentido. Aqui não há nenhuma ligação direta, mesmo que possamos perceber alguma coisa, disse em entrevista à Voz da Rússia o crítico musical e jornalista, Artem Troitsky.
Eu não acho que se deve tirar conclusões sobre o caráter moral e o rumo político dessas ou daquelas personalidades a partir do tipo de música que prefere. Sabe-se que Hitler gostava muito de música clássica - em especial Wagner. O gosto não é ruim, mas isso não muda nossa atitude para com Hitler. No entanto, às vezes há alguma ligação entre a política desenvolvida e sua música favorita. Lembro-me que Bill Clinton, que sempre foi tão elegante, um político de compromisso, gostava mais do jazz suave interpretado pelo saxofonista Kenny G: música praticamente de fundo – estilo mais sentimental e muito despretensioso.
Quanto aos políticos russos, continua Artemy Troitsky, me parece que a música é uma extensão de sua imagem e destinada a atuar sobre o auditório que eles estabeleceram para si próprio. Por exemplo, não foi surpresa quando Vladimir Putin expressou seu amor pelo grupo Lubê que professa um estilo militarista.
No entanto, o tempo passa, as pessoas mudam, e muitas vezes mudam seus gostos musicais. Percebe-se que Vladimir Putin começou a mostrar uma tendência ao lirismo. Isto é confirmado por todos que um ano atrás ouviram o chefe do governo russo na noite beneficente internacional em São Petersburgo cantando a música americana Blueberry Hill. E com ele cantava toda a platéia.
Vysotsky Vive na era da alta tecnologia
Foi altamente cogitada a estréia em Moscou do filme Vysotsky Vive. Este é o primeiro longa-metragem sobre o eminente ator, poeta e bardo Vladimir Vysotsky.
Vladimir Vysotsky é lembrado e amado na Rússia, embora tenha falecido há 30 anos. Na lista de heróis do século XX, ele divide a liderança com o primeiro cosmonauta Yuri Gagarin! Ator do famoso Teatro Taganka em Moscou, Vladimir Vysotsky atuou em filmes e até escreveu poesia, prosa, peças de teatro... Mas o principal é a música. Suas canções são mais de 600 e em cada está presente a verdadeira vida, sendo que nos tempos soviéticos poderia ser alto o preço a ser pago por essa verdadeira vida. Um dos momentos dramáticos na vida de Vysotsky foi que justamente serviu de base para o filme: um ano antes da morte durante uma turnê no Uzbequistão, quando teve um ataque cardíaco e sobreviveu. De acordo com Nikita Vysotsky - filho do poeta, que foi o roteirista e produtor do novo filme, este é um filme sobre o amor, a criatividade, e o preço terrível que tem que pagar por isso. Chegou o momento da interpretação artística: quem foi Vysotsky, o que significou e significa agora.
É claro, a principal dificuldade em fazer o filme foi sobre o ator que interpretaria Vysotsky. Isso não poderia ser aceito pelo público. E por isso o trabalho neste filme demorou, diz um dos produtores Konstantin Ernst:
A história começou há cinco anos. Por muito tempo procuramos um ator, e nós sabíamos que isso era impossível. E foi ai que criamos uma imagem - uma mistura de ator, maquiagem, computação gráfica. Um empreendimento russo absolutamente novo. Desta forma não existe o nome do ator que interpreta Vladimir Vysotsky.
Até mesmo os colegas de filmagem não sabem o nome desse ator, pois ele entoru em cena com maquiagem criando o retrato idêntico de Vysotsky. Esse mistério não é criado para causar intriga, diz Nikita Vysotsky.
Quando assistimos Avatar ou Matrix, diz ele, ficamos admirados sobre como isso foi feito no computador! Entendemos que se esse computador, por exemplo, parar uma bala, nós acreditamos nele... Em nosso filme russo a presença da tecnologia não é menos, ou talvez, até mesmo mais do que nos filmes americanos. Porém quanto menos ela for vista menos as pessoas vão prestar atenção nela, e dessa forma fazemos melhor o nosso trabalho.
É claro que depois da estréia em Moscou cogitam sobre quem interpreta Vladimir Vysotsky. Porém isso não é o principal. O filme permitiu reviver a dor da perda, assim escreveu em seu diário online, um colega de Vladimir Vysotsky no Teatro Taganka, Benjamin Smekhov. Talvez esteja nisso o principal sentido deste novo filme?
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