28 Março 2013, 20:34

Francisco Franco: será que o caudilho comia paelha nas quintas-feiras?

Francisco Franco: será que o caudilho comia paelha nas quintas-feiras?
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Em várias regiões da Espanha, em particular, em Madrid, Catalunha e Valência, quinta-feira é o dia, em que em muitas famílias e, inclusive, restaurantes se serve a paelha – é o prato deste dia. Este hábito surgiu no século XX e existem várias versões que explicam o seu surgimento.

De acordo com uma delas, o peixe fresco, que os pescadores acabavam de captar, era vendido logo na costa, na segunda-feira, enquanto o resto do peixe era transportado para o interior do país, ia parar nas mesas dos compradores apenas na quinta-feira. Precisamente por isso na Valência nas quintas-feiras servia-se este prato de peixe e arroz. De acordo com uma outra versão, quinta-feira era dia de folga de empregadas domésticas e neste dia as donas de casa faziam, elas próprias, a comida dos produtos que as empregadas preparavam de antemão. Portanto, restava-lhes apenas pôr na panela o arroz.

Mas existe mais uma versão que atribui o surgimento deste hábito ao generalíssimo Francisco Franco. Dizem que o caudilho gostava muito de paelha e tinha o hábito de visitar todas as quintas-feiras os restaurantes de Madrid a fim de comer o seu prato predileto. Afirma-se que a partir de então todos os restaurantes adotaram a regra de fazer nas quintas-feiras precisamente a paelha para servi-la ao ditador caso ele viesse. Franco morreu em 1975, a Espanha virou um país democrático, mas a tradição, criada na época da ditadura, ficou.

É difícil de averiguar se isto é verdade ou tão somente uma das “lendas da cidade”. Mas é sabido que na época de Francisco Franco nos restaurantes espanhóis surgiu uma outra inovação. A fim de atrair para a Espanha um número possivelmente maior de turistas, o governo franquista impôs em meados da década de 60 do século passado a todos os restaurantes a obrigação de elaborar um cardápio turístico que incluísse três pratos, uma bebida e o café. O preço deste “cardápio padronizado” devia ser inferior aos preços destes mesmos pratos servidos em separado. “O cardápio do dia” granjeou rapidamente a popularidade não somente entre os turistas estrangeiros, mas também entre os espanhóis.

Milhões de pessoas gostam do famoso prato valenciano “paelha” mas o enfoque de Francisco Franco, famoso amador deste prato na Espanha e fora dos seus limites, varia muito. Há quem considere, assim como antes, que o caudilho salvou a Espanha da anarquia e trouxe-lhe a estabilidade. Ao mesmo tempo, muitas outras pessoas acusam-no de ter chefiado o motim militar que tinha estrangulado a República Espanhola e estabelecido no país por longas décadas o regime de ditadura. Há quem conte, a fim de demonstrar a crueldade pessoal de Franco, a seguinte história: certa vez, na época em que servia na qualidade de oficial do Exército – ele serviu durante dez ano em Marrocos – mandou fuzilar um soldado que tinha lançado na cara do oficial o prato com comida que não lhe agradava. Dizem que na época da sua gestão a sua intolerância para com os dissidentes abrangia, inclusive, os vegetarianos, que aos seus olhos associavam com a esquerda. Portanto, os vegetarianos espanhóis podiam dar vazão a esta sua queda somente dentro das suas casas – restaurantes vegetarianos na época da ditadura não existiam.

E de que gostava o próprio caudilho? As suas paixões eram a caça e a pesca. Svetlana Pozharskaya, autora do livro “Francisco Franco e a sua época”, afirma que o seu dia-a-dia na residência El Pardo obedecia a um regime rigoroso, que ele próprio tinha estabelecido. Ele levantava-se bem cedo, tomava a refeição matutina, fazia um passeio equestre ou jogava tênis.

A refeição matutina do ditador espanhol incluía, normalmente, as frutas, o pão tostado com marmelada e o café solúvel. O dia de trabalho do generalíssimo começava às 10 horas. Franco almoçava no seio da família, o cardápio do almoço era bastante simples.

Em 2007 a Valência, terra natal da paelha, privou Francisco Franco do título de prefeito honorífico da cidade, com que ele tinha sido agraciado em 01 de maio de 1939. Os ditadores vêm e vão, mas a paelha fica...

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